LIVROS PUBLICADOS

capa do livro
Provocação
Eliane Hüning Corona
“Provocação” é um pequeno/grande livro; uma provocação mesmo, para não dizer uma joia literária, de Eliane H. Corona, que fala sobre a dor da perda, e suas consequências, talvez a mais terrível de todas as dores, mas que, transformada em saudade, imposta pelo tempo, deixa como legado a certeza de que a vida continua e a poesia precisa acompanhá-la. E é de olhos no futuro que a autora dá um mergulho no poético e começa a cumprir o seu papel. A Eliane é uma poeta de grande talento, com vocação de sobra para a poesia, não podendo ser ofuscada pelo clima de desesperança, tão presente no imaginário daqueles que não têm nada a ver com a poesia. Ela demorou a se revelar, talvez com a suspeita, infundada, diga-se de passagem, da falta de qualidade daquilo que escreve, fazendo com que, só agora, graças a este livro, traga à tona o seu incontestável engenho poético. Os poemas reunidos neste volume provam isso, pois flertam com a vida, simbolizando a força criadora da poesia, elaborada a partir das vivências que dão sustentação à obra como um todo, já que propõe uma reflexão sobre os verdadeiros arquétipos da superação, ao fazer uma conexão entre o passado e o presente, procurando ordenar o caos que se instalou no seu íntimo, a partir de certo momento, valendo-se da poesia como uma forma de debelar as incertezas, as angústias, a solidão e a nostalgia e, o que é mais importante, ficando ao coração dos leitores e amigos, procurando sublimar as reviravoltas que a vida dá. A Eliane busca captar a essência da vida, para que dela possa partilhar, e resgatar o tempo perdido, transformando-o em felicidade, visando a contemplar o desejo de viver, dentro de um itinerário poético de fazer inveja! Daí a poesia reveladora, emocionante, que transforma a experiência poética em algo extraordinário, dentro de um mundo que se perde no tempo, que não perdoa! E a Eliane sabe disso e fez disso o seu insofismável "leitmotiv", num estilo conciso, inventivo, tendo como espinha dorsal o lirismo, numa linguagem despojada, sem surpresas e sem imprevistos! (Silvério R. da Costa)
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Clarice Lispector - Entre o mito de Narciso e o literário
Maria da Luz Duarte Leite
A literatura de Clarice Lispector ocasionou um debate polêmico entre os críticos literários a respeito do seu modo de narrar, e, sobretudo, pelo fato de sua escrita romper modelos literários consagrados pela tradição literária. Em sua ficção, a autora explorou com esmero temas relacionados à condição existencial, à busca de identidade, ao universo feminino, entre outros. No que se refere à problemática da identidade de suas personagens, o grande drama é o clássico questionamento: Quem sou eu? O tema do desdobramento do eu aparece em sua prosa como matéria ligada ao processo de autoconhecimento, pois suas figuras dramáticas se constituem indagando sobre o si mesmo e o estar no mundo. Atenta às possibilidades de apropriação metafórica do mito de Narciso em contos clariceanos, direcionamos nosso olhar para a representação do referido mito nos seguintes contos: “Ele me Bebeu” da obra A via Crucis do Corpo (1998), “Devaneio e Embriaguez Duma Rapariga” de Laços de Família (1998) e “Obsessão” de A Bela e a Fera (1999). Na leitura dos contos selecionados, o destaque é para as metáforas do espelho, da máscara, do reflexo no outro, da embriaguez e do olhar, recursos que indiciam e atualizam o mito de Narciso na ficção da referida autora. Neste livro, procuramos entender o drama das personagens, tendo como foco o esfacelamento de suas identidades, traço determinante do Narciso moderno.